terça-feira, 28 de julho de 2015

Jogando Limpo com o Mangue Ano II

 Professora Bárbara Cavalcanti compondo a primeira mesa formada para discutir os impactos dos resíduos sólidos e políticas públicas em áreas de manguezais.



No momento da segunda mesa sobre percepção ambiental e valoração dos manguezais no Recife.

quinta-feira, 23 de julho de 2015

Jogando Limpo com o Mangue Ano II


Reunião com o pessoal de serviços gerais 20/07/2015

Na última segunda-feira (20/07) ocorreu a reunião mensal com o pessoal de serviços gerais da FCAP, onde foram relatados as dificuldades e avanços da situação dos resíduos sólidos da faculdade. Bem como foram tratadas algumas mudanças nos coletores das salas de aula.




quarta-feira, 20 de maio de 2015

CONVITE

O Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento e Meio Ambiente através do Laboratório de Pesquisa Integrada de Gestão Ambiental e do Curso de Extensão Educação Ambiental Escolas Sustentáveis e Com-Vida, convida para discutir o tema do Desenvolvimento e Meio Ambiente com a apresentação da palestra:
"Meio ambiente ou desenvolvimento: a inconveniente realidade do anti-ecologismo”

A ser proferida pelo Doutor Philippe Pomier Layrargues, professor da Universidade de Brasília (UnB).

A palestra se realizará às 16h30min do dia 27 de maio de 2015 no auditório do Centro de Educação da UFPE, situado na Cidade Universitária, Campus Recife.

As inscrições são gratuitas e poderão ser realizadas enviando o nome completo, telefone e instituição para o e-mail lapiga.prodemaufpe@gmail.com.

Será conferida declaração aos participantes.

quarta-feira, 22 de abril de 2015

Às agressões humanas, a Terra responde com flores

por Leonardo Boff*
Leonardo Boff destaca os presentes que a natureza nos fornece, apesar das agressões constantes que sofre. Foto: TV Brasil - EBC
Leonardo Boff destaca os presentes que a natureza nos fornece, apesar das agressões constantes que sofre. Foto: TV Brasil – EBC

Mais que no âmago de uma crise de proporções planetárias, nos confrontamos hoje com um processo de irreversibilidade. A Terra nunca mais será a mesma. Ela foi transformada em sua base fisico-quimica-ecológica de forma tão profunda que acabou perdendo seu equilíbrio interno. Entrou num processo de caos, vale dizer, perdeu sua sustentabilidade e afetou a continuação do que, por milênios, vinha fazendo: produzindo e reproduzindo vida.
Todo caos possui dois lados: um destrutivo e outro criativo. O destrutivo representa a desmontagem de um tipo de equilíbro que implica a erosão de parte da biodiversidade e, no limite, a diminuição da espécie humana. Esta resulta ou por incapacidade de se adaptar à nova situação ou por não conseguir mitigar os efeitos letais. Concluído esse processo de purificação, o caos começa mostrar sua face generativa. Cria novas ordens, equilibra os climas e permite os seres humanos sobreviventes construírem outro tipo de civilização.
Da história da Terra aprendemos que ela passou por cerca de quinze grandes dizimações, como a do cambriano há 480 milhões de anos, que dizimou 80-90% das espécies. Mas por ser mãe generosa, lentamente, refez a diversidade da vida.
Hoje, a comunidade científica, em sua grande maioria, nos alerta face a um eventual colapso do sistema-vida, ameaçando o próprio futuro da espécie humana. Todos podem perceber as mudanças que estão ocorrendo diante de nossos olhos. Grandes efeitos extremos: por um lado estiagens prolongadas associadas à grande escassez de água, afetando os ecossistemas e a sociedade como um todo, como está ocorrendo no sudesde de nosso país. Em outros lugares do planeta, como nos USA, invernos rigorosos como não se viam há decênios ou até centenas de anos.
O fato é que tocamos nos limites físicos do planeta Terra. Ao forçá-los como o faz a nossa voracidade produtivista e consumista, a Terra responde com tufões, tsunamis, enchentes devastadoras, terremotos e uma incontida subida do aquecimento global. Se chegarmos a um aumento de dois graus Celsius de calor, a situação é ainda administrável.
Caso não não fizermos a lição de casa ao diminuirmos drasticamente a emissão de gases de efeito estufa e não reorientarmos nossa relação para com a natureza na direção da auto-contenção coletiva e de respeito aos limites de suportabilidade de cada ecossistema então preve-se que o clima pode se elevar a quatro e até seis graus Celsius. Aí conheceremos a “tribulação da desolação” para usarmos uma expressão bíblica e grande parte das formas de vida que conhecemos não irão subsistir, inclusive porções da humanidade.
A renomada revista Science de 15 de janeiro de 2015 publicou um trabalho de 18 cientistas sobre os limites planetários (Planetary Bounderies: Guiding human development on a changing Planet). Identificaram nove dimensões fundamentais para a continuidade da vida e de nosso ensaio civilizatório.
Vale a pena citá-las: (1) mudanças climáticas; (2) mudança na integridade da biosfera com a erosão da biodiversidadae e a extinção acelerada de espécies;(3) diminuição da camada de ozônio estratosférico que nos protege de raios solares letais;(4) crescente acidificação dos oceanos;(5) desarranjos nos fluxos biogeoquímicos (ciclos de fósforo e de nitrogênio, fundamentais para a vida);(6) mudanças no uso dos solos como o desmatamento e a desertificação crescente;(7) escassez ameaçadora de água doce;(8)concentração de aerossóis na atmosfera(partículas microscópicas que afetam o clima e os seres vivos); (9) introdução agentes químicos sintéticos, de materiais radioativos e nanomateriais que ameaçam a vida.
Destas nove dimensões, as quatro primeiras já ultrapasssaram seus limites e as demais se encontram em elevado grau de degeneração. Esta sistemática guerra contra Gaia pode levá-la a um colapso como ocorre com as pessoas.
E apesar deste cenário dramático, olho em minha volta e vejo, extasiado, a floresta cheia de quaresmeiras roxas, fedegosos amarelos e no canto de minha casa as “belle donne” floridas, tucanos que pousam em árvores em frente de minha janela e as araras que fazem ninhos debaixo do telhado.
Então me dou conta de que a Terra é de fato mãe generosa: às nossas agressões ainda nos sorri com flora e fauna. E nos infunde a esperança de que não o apocalipse mas um novo gênesis está a caminho. A Terra vai ainda sobreviver. Como asseguram as Escrituras judaico-cristãs: “Deus é o soberano amante da vida”(Sab 11,26). E não permitirá que a vida que penosamente superou caos, venha a desaparecer.
* Leonardo Boff é colunista do JBonline, filósofo, teólogo e escritor. 
** Publicado originalmente no site Leonardo Boff.
(Leonardo Boff)
fonte: http://envolverde.com.br/ambiente/

terça-feira, 14 de abril de 2015

Eventos de Educação Ambiental recebem propostas de trabalhos

Estão abertas as inscrições para submissão de propostas de trabalho no I Congresso Brasileiro de Educação Ambiental Interdisciplinar e no IV Workshop de Educação Ambiental Interdisciplinar. Os eventos vão acontecer de forma integrada e têm como temática central ‘As Mudanças Climáticas e os Problemas dos Recursos Hídricos’.
Os interessados de Petrolina, no Sertão pernambucano, e da região podem enviar as propostas até o dia 1º de junho. Podem se inscrever gratuitamente professores, pesquisadores, estudantes, instituições públicas e privadas e Organizações Não Governamentais (ONGs).
As inscrições são realizadas no site da Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf). Os interessados podem propor minicursos, mesa redonda, palestra, lançamento de livro, exposição artística e científica, além de oficinas e visitas técnicas. No endereço eletrônico estão disponíveis orientações de como compor as proposições.
As submissões de resumos e artigos estão previstas para iniciar no dia 15 de junho. Já os eventos devem ocorrer de 12 a 14 de outubro no Complexo Multieventos da Univasf. (Fonte: G1)

quinta-feira, 9 de abril de 2015

O lixão pontocom da África

De Accra 

Doze mil quilômetros separam Acra, a capital de Gana, do Vale do Silício, Califórnia, Estados Unidos, centro da revolução tecnológica do século XXI. Há, no entanto, outra distância maior do que a geográfica. Acra e o Vale do Silício estão no extremo de um ciclo de vida. Computadores, tablets e celulares nascem da cabeça de nerds sob o sol californiano e morrem e são descompostos no distrito de Agbogbloshie, periferia africana.
Densamente povoada por migrantes do norte do país e por imigrantes da Costa do Marfim, do Togo e de Burkina Fasso, Agbogbloshie carece de infraestrutura. Não há saneamento básico, pavimentação nas ruas ou áreas de lazer. Restos de madeira, plástico e metal formam a precária estrutura das casas. Nada mais parecido com qualquer favela de qualquer país pobre do mundo, não fosse um fato: um certo toque de ficção científica acrescentado à paisagem pelas montanhas de carcaças de computadores, tevês, fotocopiadoras, DVDs e celulares, como em uma aventura distópica de Philip K. Dick. Os “cadáveres” chegam diariamente em caminhões vindos da região portuária da cidade e transformam Agbogbloshie em um dos maiores lixões de eletroeletrônicos do planeta.
O cemitério permitiu o florescimento de um mercado paralelo e informal. Mais de 30 mil africanos de diferentes idades, crianças incluídas, ocupam-se de duas atividades, do conserto e venda de eletrônicos que ainda podem ser recuperados ou da extração de metais valiosos do entulho, entre eles prata, aço e cobre.
O rendimento do trabalho varia. Segundo Titi, taxista que durante três anos coletou minérios no lixão, o ganho médio diário oscila de 20 centavos a 10 dólares. A jornada de trabalho chega a 13 horas por dia, 7 dias por semana. No outro lado do mundo, no Vale do Silício, as fortunas acumulam-se em nanossegundos. De acordo com a revista Forbes, no último ano a fortuna de Bill Gates, fundador da Microsoft, aumentou em 3 bilhões de dólares, número que provavelmente os catadores do lixão ganense seriam incapazes de calcular.
Expostos a diversos tipos de riscos e doenças associadas ao lixo eletroeletrônico, os trabalhadores executam as atividades desprovidos de equipamentos de proteção, e muitos trabalham sem camisa e descalços. O maior risco vem da inalação de substâncias tóxicas que derivam da queima de fios de plástico, técnica utilizada para extrair o minério de cobre em seu interior. Além de interferir na saúde respiratória dos trabalhadores, a queima de lixo eletrônico contamina alimentos comercializados nos mercados da região, pois a fumaça carrega diferentes metais pesados, além do dióxido de carbono, facilmente depositados nas cascas de frutas e verduras expostas ao ar livre.
O cheiro de Agbogbloshie é indescritivelmente forte e ácido. O calor e a umidade não aliviam a sensação. Sem o menor sinal de vida, o Rio Odaw, que corta o lixão, lentamente carrega pedaços de plástico e de metal dispensados pelos trabalhadores, em uma versão piorada do Tietê paulistano. Cachorros e vacas famintos em busca das escassas gramas e de restos de comida dividem o espaço com os trabalhadores, enquanto as crianças jogam futebol com bolas improvisadas de isopor.
A maioria das carcaças eletrônicas de Agbogbloshie chega da Europa e da América do Norte. Sua liberação nos portos de Gana justifica-se por acordos comerciais cujo propósito, em tese, é ampliar o acesso da tecnologia aos desfavorecidos em países subdesenvolvidos. Em outras palavras, um europeu dono de um computador velho em casa, quebrado ou não, pode enviar o equipamento a algum país africano baseado no altruísta objetivo de propiciar acesso ao “mundo digital” a negros e mulatos pobres das periferias. É uma dupla limpeza: da casa propriamente dita e da consciência.
Apesar de veementemente condenado pela Convenção da Basileia, realizada em 1989, na Suíça, o fluxo de lixo eletrônico continua intenso, de modo que os lixões eletroeletrônicos se espalham por outros países africanos (Egito, Nigéria e Quênia já têm os seus) e na Ásia (incluídos os emergentes Índia e China).
O governo de Gana tenta organizar os trabalhadores em cooperativas, mas a miséria e a ignorância predominam no cemitério de Agbogbloshie e dificultam as iniciativas. O objetivo é sobreviver. Se esse fosse o texto de um programa do National Geographic Channel, o locutor encerraria: “E assim a vida se renova (no mundo digital)”.
*Reportagem publicada originalmente na edição 842 de CartaCapital, com o título "Lixão pontocom"

fonte: http://www.cartacapital.com.br

Inscrições abertas para o V Prêmio de Sustentabilidade Ambiental


quarta-feira, 1 de abril de 2015

Campanha elege 47 cidades sustentáveis e abre espaço para engajamento online

por Redação do Portal Aprendiz
We-love-cities-sqEstá no ar a campanha We love Cities, uma proposta de celebração às Cidades mais Sustentáveis do mundo. Organizada pelo WWF (World Wildlife Fund), a ideia é que os próprios cidadãos se engajem, sugiram e divulguem as ações de seus municípios para melhorar o ambiente urbano e assegurar um planeta melhor.
Ao todo, 47 cidades foram escolhidas por um júri especializado, que avaliou os reais compromissos e avanços desses locais rumo a um futuro mais sustentável. O internauta agora pode acessar o site da campanha e postar uma foto ou vídeo, relatando o que mais gosta na cidade. Se quiser, pode deixar também uma sugestão de como torná-la ainda mais sustentável.
São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte estão elencadas entre as 47 cidades por suas iniciativas recentes no campo da sustentabilidade. A capital paulistana chama atenção pelas obras de mobilidade que privilegiam bicicletas e transporte público, além da adoção por parte da frota de energias renováveis como combustível e a fabricação de biogás nos aterros sanitários.
Rio de Janeiro e Belo Horizonte também se destacam por terem diminuído a emissão de dióxido de carbono e a capital mineira recebe uma menção por ser a “capital solar” do país, com uma legislação que incentiva o uso de placas solares para aquecimento de água. (Portal Aprendiz/ #Envolverde)
Confira o site da campanha, vote e deixe sua opinião.
* Publicado originalmente no Portal Aprendiz.
(Portal Aprendiz)
fonte: http://envolverde.com.br

terça-feira, 31 de março de 2015

Prejuízo financeiro com perdas de água no Brasil chega a R$ 8 bi ao ano

por Trata Brasil
Foto: Pedro França/Agência Senado
Foto: Pedro França/Agência Senado

Ligações clandestinas, infraestrutura desgastada, vazamentos, obras mal executadas ou medições incorretas no consumo de água são as principais causas da perda
A crise hídrica que marca algumas regiões do país, notadamente o Sudeste e Nordeste, vem sendo insistentemente discutida entre autoridades, formadores de opinião e sociedade nos últimos meses. Neste sentido, as perdas de água nos sistemas de distribuição existentes nas cidades é um assunto que vem recebendo destaque. Apesar dos indicadores de perdas serem ruins há muito tempo, a escassez de água está dando luz ao tema, o que é muito importante se realmente quisermos dispor de mais água num futuro próximo.
As perdas sempre foram um dos pontos frágeis dos sistemas de saneamento e das empresas que operam esses serviços, independentemente de serem públicas ou privadas. Os dados de perdas no país mostram a fragilidade da gestão de grande parte do setor, ao mesmo tempo em que traz desafios às três esferas governamentais.
Foi com base nesse cenário histórico de baixo avanço na solução para as perdas de água que o Instituto Trata Brasil, em parceria com a GO Associados, lança esse estudo, intitulado, “Perdas de Água: Desafios ao Avanço do Saneamento Básico e à Escassez Hídrica”, e que tem como fundamento os dados mais recentes do Ministério das Cidades, especificamente no Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS – ano de referência 2013). Em grandes números, os dados do SNIS 2013 mostram que as perdas na distribuição estão em 37% e que as perdas financeiras totais estão em 39%.
Se colocarmos em valores, uma perda financeira total de 39% significa que essa percentagem de recursos não entra na receita do setor. A água não faturada pelas empresas foi de 6,53 bilhões de m³ de água tratada, perfazendo perda financeira de R$ 8,015 bilhões ao ano. Tais perdas equivalem a cerca de 80% dos investimentos em água e esgoto realizados em 2013. Na projeção do estudo, se em cinco anos houvesse uma queda de 15% nas perdas no Brasil, ou seja, de 39% para 33%, os ganhos totais acumulados em relação ao ano inicial seriam da ordem de R$ 3,85 bilhões.
Desperdício em Números
O volume total da água não faturada (6,52 bilhões de m3) é equivalente à:
• 6,5 vezes a capacidade do Sistema Cantareira 2 (1 bilhão de m3); ou
• 7.154 piscinas olímpicas perdidas ao dia; ou
• 17,8 milhões de caixas de água de 1.000 litros perdidas por dia.
Conheça o estudo completo do Trata Brasil, com as 100 cidades que mais desperdiçam água. (Trata Brasil/#Envolverde)
(Trata Brasil)

fonte: http://envolverde.com.br

quarta-feira, 18 de março de 2015

Publicado acordo setorial para a logística reversa de lâmpadas

por Rafaela Ribeiro, do MMA
Foto: Divulgação/Internet
Foto: Divulgação/Internet
Medida faz parte da Política Nacional de Resíduos Sólidos e esteve em discussão durante quatro anos
O Acordo Setorial para implantação do Sistema de Logística Reversa de Lâmpadas Fluorescentes de Vapor de Sódio e Mercúrio e de Luz Mista, assinado no dia 27 de novembro de 2014, foi publicado no Diário Oficial da União (DOU) da última quinta-feira (12/03). O documento pretende garantir que a destinação final dos resíduos dessas lâmpadas seja feita de forma ambientalmente adequada e em conformidade com a Lei Nº 12.305/2010 que instituiu a Política Nacional de Resíduos Sólidos.
A lei estabelece que fabricantes, importadores, distribuidores e comerciantes de determinado produto que possa causar danos ao meio ambiente ou à saúde humana criem um sistema de recolhimento e destinação final, independente dos sistemas públicos de limpeza urbana.
Compartilhamento
O acordo prevê responsabilidade compartilhada pelo ciclo de vida dos produtos e propicia que esses materiais, depois de usados, possam ser reaproveitados. A proposta passou por consulta pública e aprovação do Comitê Orientador para a Implantação da Logística Reversa (CORI). O comitê é composto por representantes dos ministérios do Meio Ambiente, Saúde, Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Agricultura e Abastecimento e Fazenda.
A discussão e negociação desse acordo foi longa. Iniciou-se em 2011 e estendeu-se até os momentos imediatamente anteriores a sua assinatura. Em maio de 2011, o CORI criou e instalou o Grupo Técnico Temático de Lâmpadas, responsável pela elaboração do edital de chamamento e do Estudo de Viabilidade Técnica e Econômica da Implantação da Logística Reversa de Lâmpadas, publicados no DOU em julho de 2012.
O prazo para apresentação das propostas foi fixado em 120 dias pelo edital e, no início de novembro daquele ano, foram apresentadas duas sugestões ao Ministério do Meio Ambiente. A parte final de discussão e negociação para a implantação da logística de lâmpadas demorou mais de dois anos e envolveu os proponentes e o poder público federal, representado pelo Comitê Orientador.
No anexo 1 do acordo há uma tabela que apresenta a estimativa de pontos de entrega e recipientes por fase e por município, considerando a quantidade esperada de lâmpadas descartadas a serem devolvidas pelo consumidor.
A logística será iniciada em cinco Estados: São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná, Rio Grande do Sul e Minas Gerais e as maiores cidades dos outros Estados. Os municípios que não constam na relação possuem menos de 25 mil habitantes e serão atendidos através de coleta móvel a ser implantada após o cumprimento do cronograma.
O acordo é válido por dois anos contados a partir da sua assinatura. Ao final desse período, deverão ser revisados, a fim de incorporar os ajustes que se fizerem necessários para o seu bom funcionamento e a sua ampliação para o restante do país. O acordo garante retorno dos resíduos (aquilo que tem valor econômico e pode ser reciclado ou reutilizado) à indústria, para reaproveitamento, em seu ciclo ou em outros ciclos produtivos.
Para conhecer o acordo, clique aqui.
* Edição: Marco Moreira.
** Publicado originalmente no site Ministério do Meio Ambiente.
(Ministério do Meio Ambiente) 

fonte: http://envolverde.com.br

terça-feira, 17 de março de 2015

Área urbana exposta a inundação triplicará até 2030, diz estudo

por Claudio Angelo, do Observatório do Clima
Novo estudo indica que a vulnerabilidade da população mundial às mudanças do clima é maior do que a considerada pelo IPCC
Não precisa nem culpar a mudança climática: somente pelo crescimento das cidades, a área urbana exposta a inundações no mundo terá crescido 250% em relação o ano 2000. As cidades sob risco de seca crescerão 150%. E o território urbano exposto a secas e enchentes, caso da cidade de São Paulo, crescerá também 250%. Os dados são da primeira estimativa de risco hídrico devido à expansão urbana, feita por pesquisadores da Universidade A&M do Texas.
O estudo, publicado na última edição do periódico Global Enviromental Change, indica que a vulnerabilidade da população mundial às mudanças climáticas é maior do que a considerada pelo IPCC. O painel do clima da ONU, em seus relatórios, projeta os impactos do aquecimento global considerando uma área urbana constante nas zonas de risco.
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O grupo do Texas, liderado pelo engenheiro turco Burak Güneralp, mostrou que há matizes que precisam ser considerados nas projeções. Um modelo de uso do solo desenvolvido por eles indica que a área urbana em regiões costeiras baixas, portanto expostas ao aumento do nível do mar, saltará de 71 mil para 234 mil quilômetros quadrados no período estudado.
O aumento relativo é baixo – essas áreas são 11% das cidades do mundo hoje e crescerão para 13%. Mas, num mundo onde 5 bilhões de pessoas viverão em cidades em 2030 em comparação com 2,9 milhões em 2000, o que importa são os dados absolutos. Os maiores aumentos estão concentrados na Ásia e na África. Na América do Sul, a área urbana costeira baixa quase triplica (de 5.700 para 14.400 quilômetros quadrados), e a área urbana sujeita a enchentes, idem (de 35,4 mil para 107,2 mil quilômetros quadrados).
“As megacidades costeiras abrigarão a maioria das populações urbanas e elas serão cada vez mais hubs de atividade econômica significativa nas próximas décadas. Porém, mudanças futuras potenciais na extensão e no arranjo das áreas urbanas são geralmente ignoradas quando se planeja a resiliência nessas cidades”, afirmou Güneralp em comunicado da universidade.
Segundo os autores, a mudança climática deverá se conjugar às forças socioeconômicas que guiam o crescimento das cidades e aumentar a exposição a riscos de seca e enchente no futuro – isso se não forem adotadas políticas para salvaguardar a infraestrutura urbana, que vão de construções verdes (pavimentação permeável, por exemplo) ao direcionamento da expansão urbana para longe das áreas de risco. “Decisões tomadas hoje sobre o gerenciamento do crescimento urbano nos locais expostos a esses riscos podem fazer uma grande diferença na mitigação de possíveis perdas devido a secas e enchentes no futuro próximo”, escreveram os pesquisadores.
* Publicado originalmente no site Observatório do Clima.
(Observatório do Clima) 

fonte: http://envolverde.com.br

quinta-feira, 5 de março de 2015

Ex-aluna da FCAP é aprovada no Doutorado em Administração – PROPAD / UFPE, cuja pesquisa abordará o tema da Governança e Mudanças Climáticas


O NGA parabeniza a ex-aluna da Turma 5 do Programa de Mestrado Profissional em Gestão do Desenvolvimento Local Sustentável oferecido pela FCAP / UPE, Suiane Brandão foi aprovada no Programa de Doutorado  em Administração – PROPAD / UFPE. A Mestra, que também foi aluna de graduação da FCAP, concluinte em 2009.2 e colaboradora voluntária do Núcleo de Gestão Ambiental – NGA / FCAP, defendeu sua dissertação em 2013, cujo tema de pesquisa foi: “ARRANJO PRODUTIVO AGRÍCOLA EM NATUBA - VITÓRIA DE SANTO ANTÃO/PE: Análise de potencialidades e fatores de risco para a Sustentabilidade do Desenvolvimento Local", cujo orientador foi o professor Fábio Pedrosa. Atualmente, Suiane está inserida no Grupo de Estudos e Pesquisas Educação Superior em Gestão, liderado por sua Orientadora, Professora Lilian Outtes, cujo tema de seus estudos de tese está voltado para Governança e Mudanças Climáticas, tema atual e de bastante relevância internacional.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

O todo é o meio ambiente

por Marcus Eduardo de Oliveira*
Foto: Shutterstock
Faz-se necessário buscar um “novo modelo econômico” capaz de assegurar a preservação do espaço ecológico que responde pela continuidade da vida humana em bases mais sustentáveis. Foto: Shutterstock

Escreve Andrei Cechin, em A Natureza como Limite da Economia, que “se a economia capta recursos de qualidade de uma fonte natural e devolve resíduos sem qualidade para a natureza, então não é possível tratar a economia como um ciclo isolado”. Pelo pressuposto, a economia é apenas uma parte de um todo; o todo é o meio ambiente. Logo, não há como escapar da seguinte ponderação: à medida que acontece o crescimento econômico exponencial se dilapidam as bases da natureza, resultando em sensível diminuição do meio ambiente, agravando substancialmente os fundamentos naturais da vida.
Reforça-se assim a prerrogativa de que mais crescimento significa menos meio ambiente, tendo em vista que a biosfera é finita, não cresce (e jamais irá crescer), além de ser fechada (com exceção do constante afluxo de energia solar) funcionando regiamente sob as leis da termodinâmica.
Sintomaticamente, mais crescimento econômico responde pela exaustão dos recursos naturais e energéticos e pela depredação dos serviços ecossistêmicos.
Assim, é limitada a capacidade de o ecossistema terrestre suportar as pressões advindas do crescimento econômico. Os limites biofísicos constrangem o sistema econômico que, por sua vez, irrompe-se com força destrutiva, expondo o meio ambiente em constante degradação, comprometendo a capacidade de a vida humana prosperar com o equilíbrio desejável.
É necessário, por oportuno, não perder de vista que os recursos naturais são, essencialmente, um conjunto de matéria e energia de qualidade atuando (entrando) no processo econômico.
Na saída desse “cano econômico”, para usar aqui uma expressão do professor Clóvis Cavalcanti, sobra resíduo, poluição, calor e matéria dissipada. Do ponto de vista físico, o processo econômico não cria matéria e energia.
A questão ecológica mais preocupante está justamente no impacto dessa ação (a retirada de recursos naturais e a entrega de resíduos pós-produção) gerada pela atividade econômica.
Esse resíduo gerado deteriora o ambiente de várias maneiras: quimicamente, como no caso do mercúrio ou da chuva ácida; nuclearmente, como o lixo radioativo; ou fisicamente, como a acumulação de CO2 na atmosfera.
Razão pela qual o crescimento econômico – pelas bases da expansão da capacidade produtiva – entendido como condição para satisfazer as necessidades humanas, precisa urgentemente ser repensado, até mesmo porque o crescimento, per si, não atende em linhas gerais aos desejos ilimitados das pessoas.
Seguindo essa linha, o desenvolvimento humano (melhoria da qualidade de vida) dependerá, pois, da retração econômica, e não de seu crescimento. Ademais, qualquer subsistema – como é o caso da economia -, em algum momento necessariamente deve parar de crescer e adaptar-se a uma taxa de equilíbrio natural.
Posto isto, a economia tradicional precisa aceitar um fato inexorável: é impossível um crescimento ilimitado num sistema que depende da existência de recursos naturais finitos. Funda-se nesse argumento um fato imperioso: parar de crescer não significa parar de se desenvolver. É perfeitamente possível prosperar (se desenvolver) sem crescer; é factível, pois, avançar economicamente sem agredir o meio ambiente.
Por sinal, prosperidade econômica, em seu significado mais elementar, deve ser entendida como sinônimo de bem-estar, e não pode haver prosperidade – portanto, melhoria substancial na qualidade de vida das pessoas -, em ambientes constantemente expostos à degradação, reduzidos, por exemplo, à poluição decorrente da expansão produtiva que esgota o patrimônio natural (biomassa da floresta, fertilização do solo, disponibilidade de água, solo arável etc).
Decorre disso a necessidade de se promover a troca da busca incessante do crescimento (expansão quantitativa) pelo desenvolvimento (melhoria qualitativa).
Faz-se necessário, contudo, buscar um “novo modelo econômico” capaz de assegurar a preservação do espaço ecológico que responde pela continuidade da vida humana em bases mais sustentáveis, estando em conformidade com o conjunto teórico que embasa a Ciência Econômica – porém, com uma nova roupagem – voltada às ordens ecológicas, não às mercadológicas.
Para alcançar esse objetivo, é imprescindível condenar a busca pelo crescimento econômico exponencial que “passeia livremente” sobre as ruínas do capital natural (ar, floresta, solo, água) promovendo em seu rastro a mais agressiva destruição dos elementares serviços ecossistêmicos.
Faz-se oportuno ponderar que no linguajar dos economistas ecológicos crescimento econômico vai só até certo “ponto” (desconhecido). Uma vez ultrapassado esse “ponto” não há melhorias, mas sim perdas significativas (crescimento deseconômico), começando pela qualidade do ar que respiramos e pela completa destruição do espaço natural, afetando substancialmente o que se convenciona entender por qualidade de vida nas cidades, uma vez que os serviços ecossistêmicos são expostos à dilapidação.
Crescimento além dos limites é sinônimo de vida degradada, de ambiente natural destruído. Que fique claro: todo e qualquer crescimento que se expande de forma incontrolável gera consequentemente desequilíbrios ao meio ambiente.
A expansão da atividade econômica, usada como paradigma de ascensão (progresso econômico) no modo de consumir das pessoas, alimentada pela ideologia da propaganda “compre mais”, consubstanciada na obsolescência programada (desgaste dos produtos de forma induzida cujo único objetivo é acelerar o tempo de rotação do capital “forçando” assim novas vendas), tem produzido muito estrago no tocante aos serviços prestados pela natureza, configurando na expressão máxima: mais economia significa menos meio ambiente. Já passou da hora de abandonar esse modelo.
* Marcus Eduardo de Oliveira é economista e professor, com pós-graduação em Política Internacional e mestrado em Integração da América Latina (USP).
Contato: prof.marcuseduardo@bol.com.br.

** Publicado originalmente no site EcoD.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

Reitores de SP se unem para conseguir dados e combater crise hídrica

por Redação da Carta Capital
Mesmo tendo pedido há mais de uma década e feito diversos alertas, pesquisadores das universidades públicas de São Paulo nunca conseguiram acesso a informações sobre a crise. Foto: Luiz Augusto Daidone/Prefeitura de Vargem
Mesmo tendo pedido há mais de uma década e feito diversos alertas, pesquisadores das universidades públicas de São Paulo nunca conseguiram acesso a informações sobre a crise. Foto: Luiz Augusto Daidone/Prefeitura de Vargem
Pesquisadores e docentes das universidades estaduais e federais paulistas criam fórum para unir pesquisas, desenvolver tecnologias e pressionar poder público por informações
Reitores das universidades estaduais e federais paulistas (USP, Unesp, Unicamp, Unifesp, UFSCar e UFABC) divulgam um documento da criação de um fórum para debater assuntos estratégicos, unir pesquisas para desenvolver novas tecnologias e pedir do poder público dados a respeito da crise hídrica que acomete a região Sudeste do País. Outro objetivo do documento, assinado pela reitora da Unifesp, professora Soraya S. Smaili, é manter a população informada.
Há anos, pesquisadores, professores e representantes de universidades e de academias de ciências e de engenharia sanitária e ambiental alertam para a urgência da tomada de decisões com o objetivo de evitar a crise hídrica. Já em 2003, a Secretaria do Fundo Setorial de Recursos Hídricos formulou um documento alertando para a necessidade de aprimoramento da capacidade observacional e de estudos que levassem em conta especialmente o avanço da agricultura moderna, de alta eficiência, que coloca demanda extra sobre os recursos hídricos. Entre os tópicos que requeriam atenção especial estavam a formação de uma base de dados que unifique os dados meteorológicos, da água da superfície e da água subterrânea.
Apesar desta e de inúmeras outras manifestações, pesquisadores não tiveram acesso às informações necessárias para determinar a real dimensão da crise e oferecer soluções. Agora, o fórum reunirá especialistas de cada universidade para debater assuntos estratégicos e elaborar um plano de contingência. Além disso, os reitores propõem também monitorar a qualidade e a quantidade das águas, e criar um modelo de atuação análoga ao do IPCC (Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas).
Leia a seguir a íntegra da carta da reitora Soraya S. Smaili.
Universidades públicas de São Paulo assumem iniciativa pela água
Há anos, os pesquisadores, professores e especialistas das universidades públicas federais e estaduais, em especial os paulistas, vêm alertando para a necessidade de agir com o objetivo de evitar a “crise hídrica” que, finalmente, atinge um momento especialmente agudo. Tradicionalmente, boa parte das pesquisas sobre o tema é realizada no interior dessas instituições. O estado conta, ainda, com a Fundação de Amparo à Pesquisa (Fapesp), que financia estudos de qualidade e segundo rigorosos padrões nacionais e internacionais.
Vários encontros, seminários e simpósios produziram propostas que poderiam ter sido mais bem aproveitadas, incluindo, por exemplo, as iniciativas da Secretaria do Fundo Setorial de Recursos Hidrícos, formuladas no documento “As necessidades de observação e monitoramento dos ambientes brasileiros quanto aos recursos hídricos” publicado em 2003. Além disso, entidades ambientalistas, reunidas na Aliança pela Água, divulgaram sua contribuição, em 29 de outubro passado.
Em dezembro último, manifestaram-se sobre o tema o Conselho da Cidade de São Paulo (por meio de um documento apresentado ao seu Pleno, no dia 15), a Academia Brasileira de Ciências (com a “Carta de São Paulo”, publicada dia 11) e Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental – Seção São Paulo (no dia 2).
Apesar de todas essas manifestações e da amplitude da crise, as universidades não tiveram e ainda não têm as informações necessárias e suficientes, por parte dos órgãos  gestores da administração pública, para determinar o impacto exato implicado pela carência sobre a vida da comunidade (incluindo professores, estudantes, servidores e as atividades de pesquisa e, principalmente, nossos hospitais que fazem amplo atendimento ao público). O momento pede uma ação ampla, forte, segura e coordenada. Buscamos informações e diagnóstico da situação, trabalharemos nos nossos planos de contingenciamentos, que precisam ser executados imediatamente, pois não devemos mais esperar.
Mas as universidades públicas querem também contribuir, oferecer soluções definitivas e suprapartidárias. Além do plano emergencial de atendimento e contingenciamento da água para nossas próprias instituições, propomos a instalação de um Painel Técnico-Acadêmico para Recursos Hídricos (PTA-Hidro) que possa conjugar e apresentar à sociedade os estudos concretos e de relevância científica e tecnológica.
Para dar encaminhamento a estas propostas, os reitores das universidades estaduais (USP, Unesp, Unicamp) e federais em São Paulo (Unifesp, UFSCar e UFABC), além do IFSP, se reuniram em 3 de fevereiro e propuseram como ações iniciais:
1. Criar o fórum de reitores das universidades públicas do Estado de São Paulo, que debaterá assuntos estratégicos para a universidade e a sociedade, a começar pela crise hídrica;
2. Demandar e ajudar a implantar um plano de contingência geral e coordenar os planos de cada universidade e seus órgãos associados (hospitais, clínicas, bibliotecas, estações);
3. Disponibilizar as competências da universidade para participar dos fóruns estratégicos sobre a crise hídrica organizados pelo poder público;
4. Obter e contribuir para um plano de comunicação da crise onde a população e em especial a comunidade universitária esteja plenamente informada;
5. Indicar e ajudar a implantar um programa de gestão de demanda na região da macrometrópole;
6. Verificar e fazer cumprir o monitoramento integrado da qualidade e da quantidade das águas;
7. Obter e trabalhar para adquirir planos de ações de incentivo financeiro solicitar linha de crédito federal e estadual para adequação das estruturas ao contingenciamento;
8. Reformular e dinamizar as atividades de pesquisa e desenvolvimento tecnológico, juntando especialistas de nossas universidades e associações científicas;
9. Apresentar projetos e ações a serem financiados por agências e fundações de pesquisa (FAPESP, CNPq, Finep etc.) ou Fundos específicos (CT-Hidro e Fehidro) visando o apoio a projetos dedicados à recuperação e conservação de recursos hídricos;
10. Criação do Painel Técnico-Acadêmico de Recursos Hídricos objetivando trabalhar em conjunto com governos nas soluções de curto, médio e longo prazo, em dinâmica análoga ao IPCC (Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas).
É chegado o momento de não somente adotarmos medidas urgentes, mas também garantirmos a pronta articulação das universidades públicas. A universidade assume o seu papel de destaque na formulação e na ação junto ao Estado e à sociedade.
* Publicado originalmente no site Carta Capital.
(Carta Capital) 

fonte: http://envolverde.com.br

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

Seja bem-vindo à era da escassez

por Eduardo Shor*
shutterstock humanidade Seja bem vindo à era da escassez
Foto: Shutterstock

Pode ser que os leitores acabem antes do livro impresso. O Orkut, a Petrobras, o futebol brasileiro, a vida como a gente conhecia não existem mais. E os picolés? Viraram paletas mexicanas vendidas em food trucks
Você sabe da última? Entramos na era da escassez. O mundo agora é assim. Está cada vez mais comum se falar na última. A última gota, ponta, semente, vez que você viu uma estrela no céu na cidade de São Paulo. Quando foi mesmo?
A água pode acabar. Existe gente que jura que dá para ficar sem tomar banho. Mas uma pessoa de bem, um pai de família, uma mãe de criança, empresária, conseguiria viver sem chocolate? Difícil. E o pior: a produção de cacau não tem dado conta para tantos dedos querendo se lambuzar com bombons, tabletes, cremes.
Onde estão os picolés? Saudades das velhas Kombi que vendiam cachorro-quente. Raridade. Nas festas do interior, as barraquinhas ofereciam pinga, marvada, imaculada, branquinha, bagaceira, a-que-matou-o-guarda.
Hoje a cachaça só entra se tiver nome bonito, aliás qualquer coisa só entra desse modo. O sujeito não sai de casa se não for para conhecer um espaço diferenciado. E, em vez de enfiar o pé na jaca, mergulha os calcanhares no leito de rúculas ao molho de iogurte, oréganos frescos e damascos da Polinésia. É o pé na jaca gourmet, com o perdão da cacofonia.
O Orkut acabou; a Petrobras, dizem. Os ascensoristas não estão mais dentro dos elevadores, substituídos por vozes mecânicas. O Eike deixou a lista dos bilionários. E nem Clarice Lispector teve um repertório tão vasto de frases para as redes sociais, da forma que querem fazer você acreditar.
O livro impresso vai acabar algum dia? Pode ser que os leitores acabem antes do livro. O mundo politeísta assistiu ao nascer do monoteísmo, até que se declarou Deus morto, ou, quem sabe, ele nunca tenha existido.
A crônica esportiva procura entender por que o nosso futebol acabou. A extinção da paixão pela camisa, do improviso do craque brasileiro. Os analistas do mercado querem descobrir por que a economia desaqueceu. O PIB sumiu. A arara-azul e o mico-leão-dourado faz muito também não aparecem por essas bandas.
A vida como a gente conhecia não existe mais. Ficou nas fotografias, que de uns tempos para cá não desbotam. Permanecem coloridas e vivas, como se o momento registrado tivesse acabado ontem ou uma hora atrás. O clima mudou, as geleiras estão derretendo, os rios estão secando. Pode faltar luz nos próximos meses.
Acabou o dinheiro – o meu, pelo menos. A paciência da população, a vergonha dos políticos, a revolta junina, o espaço para tanto silicone, o carnaval de outrora, o amor.
O amor acabou sem nem avisar com antecedência. Um dia o homem acordou, pulou da cama e disse a ela: não dá mais. Logo os dois, que tinham amado Paris, amado Veneza, amado a primeira vez que fumaram maconha, amado aquele filme do Woody Allen. Amaram tanto tudo que faltou amor para continuarem a se amar.
E não aconteceu só com eles. Falta de amor se espalha que nem gripe. Atchim! Beija-se sem amor, casa-se sem amor, transa-se sem amor. E os pais não veem a hora de devolver as crianças, tomarem de volta o pagamento do parto. Chega-se a uma certa idade que a gente não tem mais saúde.
Acabou a atenção. Pessoas andam pela rua batendo a testa, trombando em postes. Olha o celular, digita, esquece a vida. Um exército de seres que estão aqui, mas não estão em lugar algum. Cabeças perdidas em bate-papos, jogos, vídeos de sexo, piadas, notícias. Onde estará de verdade toda essa gente?
Talvez seja por isso que se fale cada vez mais em encontrar outros planetas, galáxias, estrelas. O dia não veio, o bonde não veio, o riso não veio, não veio a utopia e tudo acabou e tudo fugiu e tudo mofou, e agora, José? Esse planeta acabou, ou está acabando, anote aí, antes que acabe a tinta da caneta, ou a bateria do seu computador.
Uma sonda acabou de pousar em um cometa pela primeira vez, a Nasa anuncia para os próximos anos uma missão tripulada inédita para Marte. Candidato, seu tempo acabou. A lei acabou no Brasil, acabou a promoção no shopping, na 25 de Março, na Rua da Alfândega. Acabou a privacidade, o Calendário Maia. Acabou o coletivo, agora cada um só quer saber de si.
Não tem mais o que acabar por esses lados, vamos acabar com o que a gente ainda nem conhece direito. O que pode ser destruído na Lua? Em Júpiter? Saturno ainda perde seu anel em um assalto interestelar. Enquanto houver esse texto é possível ter a garantia de que algo continua, a esperança, mas nem isso. Acabou a linha, acabou o espaço, acabou o texto. Fim.
* Eduardo Shor é jornalista e autor do livro Amor do Mundo.
** Publicado originalmente no site Página 22.
(Página 22) 

quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

A Universidade do Século XXI Rumo ao Desenvolvimento Sustentável

O rápido crescimento demográfico, o esbanjamento dos recursos naturais e a degradação do meio ambiente, a pobreza persistente de grande parte da humanidade, a opressão, a injustiça e a violência de que padecem ainda milhões de pessoas exigem ações corretivas de grande envergadura.


1 – Introdução 
O rápido crescimento demográfico, o esbanjamento dos recursos naturais e a degradação do meio ambiente, a pobreza persistente de grande parte da humanidade, a opressão, a injustiça e a violência de que padecem ainda milhões de pessoas exigem ações corretivas de grande envergadura. 
Segundo Mayor (1998, p. 46), a educação é a chave do desenvolvimento sustentável, auto-suficiente – uma educação fornecida a todos os membros da sociedade, segundo modalidades novas e com a ajuda de tecnologias novas, de tal maneira que cada um se beneficie de chances reais de se instruir ao longo da vida. Devemos estar preparados, em todos os países, para remodelar o ensino, de forma a promover atitudes e comportamentos que sejam portadores de uma cultura da sustentabilidade. 
É aí que entram em jogo as universidades, assim como todos os estabelecimentos de ensino superior, que assumem uma responsabilidade essencial na preparação das novas gerações para um futuro viável. Pela reflexão e por seus trabalhos de pesquisa básica, esses estabelecimentos devem não somente advertir, ou mesmo dar o alarme, mas também conceber soluções racionais. Devem tomar a iniciativa e indicar possíveis alternativas, elaborando esquemas coerentes para o futuro. Devem, enfim, fazer com que se tome consciência maior dos problemas e das soluções através de seus programas educativos e dar, eles mesmos, o exemplo. 
Esta tarefa se materializa na promoção de programas de ensino novos e/ou reorientados, de acesso mais abrangente e contínuo, na criação de painéis de peritos que aconselham os governos e fazem um acompanhamento crítico da atuação destes e de outros agentes da sociedade. 
Neste sentido, os trabalhos desenvolvidos dentro das instituições de ensino de nível superior têm um efeito multiplicador, pois cada estudante, convencido das boas idéias da sustentabilidade, influencia o conjunto, a sociedade, nas mais variadas áreas de atuação. 
A educação está sendo, nos dias de hoje, repensada como uma preparação para a vida: trata-se de garantir a segurança do emprego e a aptidão para o trabalho, de permitir a cada um satisfazer às demandas de uma sociedade em rápida evolução, assim como as mudanças tecnológicas que condicionam hoje, direta ou indiretamente, cada aspecto da existência e, finalmente, de conseguir responder à busca da felicidade, do bem-estar e da qualidade de vida. 

2 – Meio ambiente 
A concepção ecológica concebe o universo como um todo interligado e interconectado entre si. Reconhece a interdependência fundamental de todos os seres vivos, não como uma coleção de partes dissociadas, mas como uma rede de fenômenos articulados e fortemente imbricados, dentro da qual seres humanos e sociedades participam de forma cíclica dos processos da natureza. 
Neste sentido, Bertalanffy (1977, p. 35), com sua Teoria Geral dos Sistemas, enfatiza que tudo está unido a tudo e que cada organismo não é um sistema estático fechado ao mundo exterior, mas sim um processo de intercâmbio com o meio circunvizinho, ou seja, um sistema aberto num estado quase estacionário, onde materiais ingressam continuamente, vindos do meio ambiente exterior, e neste são deixados materiais provenientes do organismo. 
Para Bateson (1987, p. 17), um sistema vivo não se sustenta somente com a energia que recebe de fora, mas fundamentalmente pela organização da informação que o sistema processar. 
Esse processo de interligação foi sabiamente descrito no século passado por um chefe índio, numa carta enviada ao Presidente dos Estados Unidos que, de acordo com Dias (1993, p. 47), em sua obra A carta do Chefe Indígena Seattle , dizia: “ [ ... ] ensinem às suas crianças o que ensinamos às nossas, que à Terra é nossa mãe. Tudo o que acontecer a Terra, acontecerá aos filhos da Terra. Se os homens cospem no solo, estão cuspindo em si mesmos [ ... ] à Terra não pertence ao homem; o homem pertence a Terra [ ... ] todas as coisas estão ligadas como o sangue que une uma família. Há uma ligação em tudo. Os rios são nossos irmãos, saciam nossa sede”. 
Foi com a Revolução Industrial que o homem começou realmente a transformar a face do planeta, a natureza de sua atmosfera e a qualidade de sua água. O meio ambiente está sendo agredido, devido ao rápido crescimento da população humana, que provoca declínio cada vez mais acelerado de sua qualidade e de sua capacidade para sustentar a vida. 
O impacto da espécie humana sobre o meio ambiente tem sido comparado, por alguns cientistas, às grandes catástrofes do passado geológico da Terra. A humanidade deve reconhecer que agredir o meio ambiente põe em perigo a sobrevivência de sua própria espécie e pensar que o que está em jogo não é uma causa nacional ou regional, mas sim a existência da humanidade como um todo. É a vida que está em jogo. Não podemos conceber um ecossistema sem o homem, não podemos encontrar o homem sem algum ecossistema. 
Com todos os desastres que têm acontecido com o meio ambiente, percebemos que o ser humano tem sido capaz de modificar seu meio ambiente para adaptá-lo às suas necessidades. 
Com o rápido crescimento da população, criou-se uma demanda sem precedentes, que o desenvolvimento tecnológico pretende satisfazer, submetendo o meio ambiente a uma agressão que está provocando o declínio cada vez mais acelerado de sua qualidade e de sua capacidade para sustentar a vida. 
Um dos impactos que o uso de combustíveis fósseis tem produzido sobre o meio ambiente terrestre é o aumento da concentração de dióxido de carbono (CO2) na atmosfera, dando lugar a um aumento da temperatura global da Terra. 
Outros males importantes causados pelo ser humano ao meio ambiente são o uso de pesticidas que contaminam regiões agrícolas e interferem no metabolismo do cálcio das aves; a erosão do solo, que está degradando de 20 a 35% das terras de cultivo de todo o mundo; a perda das terras virgens; o crescente problema mundial do abastecimento de água, como conseqüência do esgotamento dos aqüíferos subterrâneos, assim como pela queda na qualidade e disponibilidade da água e a destruição da camada de ozônio. 
Percebe-se, portanto, que hoje os problemas vividos no mundo são realmente em decorrência da intervenção humana no planeta e nos ecossistemas. A título de exemplo, podemos citar: destruição da biodiversidade ou a extinção de espécies; destruição progressiva da camada de ozônio por gases; efeito estufa ou aquecimento global; crescimento da população mundial; poluição e indisponibilidade de água potável. 
Desde a década de 50, a deterioração ambiental e sua relação com o estilo de crescimento econômico já eram objeto de estudo e preocupação internacional. Cita-se o teólogo luterano Albert Shweitzer, filósofo, organista intérprete de Bach e médico missionário que em 1952 recebeu o Prêmio Nobel da Paz por popularizar a ética ambiental e pelos seus esforços em defesa da “Irmandade das Nações”. Durante conferência proferida em 20 de outubro de 1952 na Academia Francesa de Ciências (Paris), sobre o tema “O problema da ética na evolução do pensamento”, ele declarou: “quando o homem aprender a respeitar até o menor ser da criação, seja animal ou vegetal, ninguém precisará ensiná-lo a amar seu semelhante”. 
Nos anos 60, nos Estados Unidos, houve uma profunda mudança na atitude do povo americano com relação à necessidade de normas ambientais federais, suscitada pela obra “Silent Spring ” (Primavera Silenciosa), de Rachel Carson, uma bióloga marinha norte-americana que provocou os políticos à ação. O livro, publicado em 1962, presidiu o rito de passagem para o momento novo na história humana: o da preocupação com os rumos do desenvolvimento próprio da sociedade industrial. 
“Primavera Silenciosa” relata os efeitos da má utilização dos pesticidas e inseticidas químico-sintéticas, alertando sobre as conseqüências danosas de inúmeras ações humanas sobre o ambiente. 
Carson iniciou o debate sobre o custo ambiental dessa contaminação para o homem. Já nessa época, apontava para os prejuízos do uso de produtos químicos no controle de pragas e doenças, advertindo que estavam interferindo nas defesas naturais do próprio ambiente e, segundo Dias (1993, p. 54), a autora dizia que “nós permitimos que esses produtos químicos fossem utilizados com pouca ou nenhuma pesquisa prévia sobre seu efeito no solo, na água, animais selvagens e sobre o próprio homem”. O livro teve os direitos comprados por uma multinacional de agroquímica e, diz-se, isto impede sua republicação. 
Nos últimos anos, a preocupação em defender a natureza passou a ser mundial, devido a afirmações aterradoras como: 
  • Nosso planeta está poluído, sua temperatura se eleva, as erosões progridem, as áreas agrícolas irrigáveis diminuem, a população aumenta e os ecossistemas sofrem efeitos devastadores. 
  • Mudar a economia mundial, de acordo com o novo modelo de desenvolvimento ambientalmente mais adequado, é a única alternativa para a sobrevivência a longo prazo da humanidade. 
  • Os países desenvolvidos têm hoje menos de 25% da população mundial, mas consomem 75% de toda a energia produzida, 70% dos combustíveis comercializados, 85% dos produtos da madeira e 72% do aço. 
Portanto, fica clara a importância da questão ambiental em qualquer discussão e também dentro dos debates da sociedade, no sentido de enfatizar a consciência de preservação do meio e a evolução para a gestão da sustentabilidade, porque, a cada dia, ficam evidentes as conseqüências das agressões que o homem comete contra a natureza. 

3 - A expressão “Desenvolvimento Sustentável” entra em cena 
O modelo de crescimento econômico gerou enormes desequilíbrios. Se, por um lado, nunca houve tanta riqueza e fartura no mundo, por outro lado, a miséria, a degradação ambiental e a poluição aumentam dia a dia. Diante dessa constatação, surge a idéia do desenvolvimento sustentável, buscando conciliar o desenvolvimento econômico à preservação ambiental e, ainda, ao fim da pobreza no mundo. Fortalece-se a percepção de que é imperativo desenvolver, sim, mas sempre em harmonia com as limitações ecológicas do planeta, ou seja, sem destruir o ambiente, para que as gerações futuras tenham chance de existir e viver bem, de acordo com as suas necessidades (melhoria da qualidade de vida e das condições de sobrevivência). 
As metas do desenvolvimento sustentável são: 
  • A satisfação das necessidades básicas da população (educação, alimentação, saúde, lazer, etc.). 
  • A solidariedade para com as gerações futuras (preservar o ambiente de modo que elas tenham chance de viver). 
  • A participação da população envolvida (todos devem se conscientizar da necessidade de conservar o ambiente e fazer cada um a parte que lhe cabe para tal). 
  • A preservação dos recursos naturais (água, oxigênio, etc). 
  • A elaboração de um sistema social, garantindo emprego, segurança social e respeito a outras culturas (erradicação da miséria, do preconceito e do massacre de populações oprimidas, como, por exemplo, os índios). 
  • A efetivação dos programas educativos. 
A educação ambiental é parte vital e indispensável na tentativa de se chegar ao desenvolvimento sustentável, pois é a maneira mais direta e funcional de se atingir pelo menos uma de suas metas: a participação da população. 
Educação para a Vida Sustentável envolve uma pedagogia que coloca a compreensão da vida como seu ponto central. O educando experimenta um aprendizado no mundo real que supera nossa alienação da natureza, o que reacende um sentido de pertinência e desenvolve um currículo que ensina às nossas crianças os princípios básicos da ecologia, tais como: 
  • aquilo que uma espécie desperdiça é a comida da outra espécie e a matéria circula continuamente pela da teia da vida; 
  • a energia que guia os ciclos ecológicos emana do sol; 
  • a diversidade assegura a resiliência; 
  • a vida, desde o seu início, há mais de três bilhões de anos, não tomou o planeta por combate, mas por atuar em rede. 
Essa pedagogia sugere o planejamento de um currículo integrado, enfatizando o conhecimento contextual, no qual os vários assuntos são entendidos como recursos a serviço de um foco central. Uma maneira ideal de alcançar a integração é aproximar-se da chamada ‘aprendizagem por projetos”, que consiste em facilitar as experiências de aprendizagem ao envolver alunos em projetos complexos e contemporâneos, através dos quais eles desenvolvam e apliquem habilidades e conhecimentos. 
Uma das formas de levar a educação ambiental à comunidade é pela ação direta do professor na sala de aula e em atividades extracurriculares. Por meio de atividades como leitura, trabalhos escolares, pesquisas e debates, os alunos poderão entender os problemas que afetam a comunidade onde vivem, a refletir e criticar as ações que desrespeitem e, muitas vezes, destroem um patrimônio que é de todos. 
Os professores são a peça fundamental no processo de conscientização da sociedade dos problemas ambientais, pois buscarão desenvolver, em seus alunos, hábitos e atitudes sadios de conservação ambiental e respeito à natureza, transformando-os em cidadãos conscientes e comprometidos com o futuro do país. 
Além disso, desenvolvimento sustentável introduz uma dimensão ética e política que considera o desenvolvimento como um processo de mudança social, com conseqüente democratização do acesso aos recursos naturais e distribuição eqüitativa dos custos e benefícios do desenvolvimento. 
O grande desafio do século 21 é, então, o de mudar o sistema de valores que está por trás da economia global, de modo a torná-lo compatível com as exigências da dignidade humana e da sustentabilidade ecológica. 

4 – A nova missão do ensino superior: educar para o desenvolvimento sustentável 
Segundo Morin (2003), os saberes necessários à educação do futuro não têm nenhum programa educativo, escolar ou universitário. Para ele, não estão concentrados no ensino fundamental, no médio, nem no ensino universitário, mas abordam problemas específicos para cada um desses níveis. Eles dizem respeito aos buracos negros da educação, completamente ignorados, subestimados ou fragmentados nos programas educativos. Programas esses que, na opinião do autor, devem ser colocados no centro das preocupações sobre a formação dos jovens, futuros cidadãos. 
Um dos saberes necessários à educação, para Morin (2003), é a condição planetária, sobretudo na era da globalização. Esse fenômeno que estamos vivendo hoje, em que tudo está conectado, é um outro aspecto que o ensino ainda não tocou, assim como o planeta e seus problemas, a aceleração histórica, a quantidade de informação que não conseguimos processar e organizar. Existe neste momento um destino comum a todos os seres humanos. 
Compreender a noção de desenvolvimento sustentável na prática educativa é uma noção que continua a ter um sentido muito vago. O mundo desenvolvido não mostra grande entusiasmo perante tal obrigação. Ao contrário, os países em desenvolvimento reconhecem a seriedade da questão, dizendo – e o argumento tem perfeita justificação – que vivem há muitos anos consumindo apenas o estritamente necessário e que têm, pois, o direito de dispor no futuro de uma fatia maior dos recursos. 
Para ter acesso a uma melhor qualidade de vida, devemos melhorar os nossos conhecimentos. Maturana (1998, p. 18) diz que o verdadeiro conhecimento não leva ao controle ou à tentativa de controle, mas leva ao entendimento, à compreensão, a uma harmônica e ajustada aos outros e ao meio. Para ele, conhecer é viver, viver é conhecer. Diz ainda que todo conhecer é uma ação efetiva que permite a um ser vivo continuar sua existência no mundo que ele mesmo traz à tona ao conhecê-lo. 
É preciso progredir no campo da ciência e da tecnologia, das ciências sociais e humanas. Para garantir a qualidade a nível humano, é preciso melhorar também o sistema de valores. A sabedoria consiste, exatamente, na íntima aliança entre conhecimentos e valores. 
É aí que entram em jogo as universidades, assim como todos os estabelecimentos de ensino superior, que assumem uma responsabilidade essencial na preparação das novas gerações para um futuro viável. Pela reflexão e por seus trabalhos de pesquisa básica, esses estabelecimentos devem não somente advertir, ou mesmo dar o alarme, mas também conceber soluções racionais. Devem tomar a iniciativa e indicar possíveis alternativas, elaborando esquemas coerentes para o futuro. Devem, enfim, fazer com que se tome consciência maior dos problemas e das soluções através de seus programas educativos e dar, eles mesmos, o exemplo. 
Os trabalhos desenvolvidos dentro das instituições de ensino de nível superior têm um efeito multiplicador, pois cada estudante, convencido das boas idéias da sustentabilidade, influencie o conjunto, a sociedade, nas mais variadas áreas de atuação. 
Todos os estabelecimentos de ensino superior estão bastante conscientes do papel que devem cumprir na preparação das novas gerações para um futuro viável. As universidades envolvidas partilham a convicção de que o progresso econômico e a proteção ambiental estão indissoluvelmente ligados. Um não tem futuro sem o outro como demonstra a figura 1 

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Figura 1 - Interpretação do Desenvolvimento Sustentável 







Para Kornhauser (2001, p. 236), a educação é o cimento da construção do desenvolvimento humano sustentável. É preciso elaborar estratégias e programas de educação relacionados com o ambiente, que abranjam tanto o ensino escolar como a educação informal, que adotem a perspectiva da educação permanente a ser desenvolvida pelos poderes públicos, o setor produtivo, o comércio e as comunidades locais. 

5 – A universidade do século XXI rumo ao desenvolvimento sustentável 
O desafio do desenvolvimento sustentável procura, na universidade, um agente especialmente equipado para liderar o caminho, porque a sua missão é o ensino e a formação dos decisores do futuro ou dos cidadãos mais capacitados para a tomada de decisão, porque é rica e extensiva a sua experiência em investigação interdisciplinar e porque a sua natureza fundamental de motor do conhecimento lhe imprime um papel essencial num mundo cujas fronteiras se dissolvem a cada dia. 
A Organização das Nações Unidas (ONU) deu os primeiros sinais às universidades quanto ao seu papel no caminho global para o desenvolvimento sustentável. Os documentos associados às Conferências em Desenvolvimento Humano em 1972 e em Ambiente e Desenvolvimento – UNCED em 1999 explicitam objetivos e medidas dirigidas às instituições de ensino superior (quadro 1). 

DocumentoObjetivosMedidas Recomendadas
UNCHD (1972)
Declaração de Estocolmo (Princípios 9 e 24)
Prever e/ou minorar  aspectos  contrários ao desenvolvimento sustentável.Formulação de acordos multi- ou bilaterais ou de outras formas de cooperação (nomeadamente em transferência tecnológica).
UNCED (1991)
Relatório do Comitê Preparatório
Envolver todos na educação para o desenvolvimento sustentável.Envolvimento de decisores no governo, de especialistas que os aconselhem nas universidades, institutos de investigação, etc.
UNCED (1992)
Declaração do Rio (Princípio 9)
Fortalecer o desenvolvimento de capacidades para o desenvolvimento sustentável.Intercâmbio de conhecimento científico e tecnológico. Desenvolvimento, adaptação, difusão e transferência de tecnologias, incluindo as novas e inovativas.
UNCED (1992)
Agenda 21 (Capítulos 31, 34, 35 e 36)
Clarificar o papel da ciência e tecnologia no desenvolvimento sustentável.(Re)desenho dos programas nacionais em Ciência e Tecnologia por forma a clarificar contribuições do setor para o desenvolvimento sustentável e identificar funções/ responsabilidades do sector no desenvolvimento humano.
Gerar e disseminar conhecimento e informação em desenvolvimento sustentável. Produção de avaliações científicas de longo prazo sobre depleção dos recursos, uso da energia, impactos na saúde e tendências demográficas, e tornar públicas em formas amplamente compreendidas.
Educar todos para o desenvolvimento sustentável.Desenvolvimento de programas de educação em ambiente e desenvolvimento (acessível a pessoas de todas as idades). Incentivos dos países às universidades e a redes de trabalho neste âmbito.
Quadro I – A ONU e as universidades no âmbito do Desenvolvimento Sustentável (1972-1992)
Fonte:http:www.campus.unl.pt – Acesso em 26.09.2003 

As universidades estão cada vez mais conscientes do papel que têm a desempenhar para preparar as novas gerações para um futuro viável. Nos anos 80, com a publicação do Relatório Brandtland e também da cúpula “Planeta Terra” do Rio, as universidades se esforçaram para definir e ao mesmo tempo assumir seu papel no que se refere ao ensino para um futuro viável. Com essa finalidade, em diferentes períodos e lugares, as universidades propuseram e adotaram declarações ambiciosas, onde apareciam os grandes princípios e objetivos do processo de reforma que estavam prontos a adotar. Neste sentido, pode-se citar os seguintes documentos como declarações para o desenvolvimento sustentável: a resposta das universidades: 

5.1 – Declaração de Talloires – em outubro de 1990, vinte presidentes de universidades, os reitores e pró-reitores das universidades de todas as regiões do mundo mostraram seus interesses sobre a velocidade crescente da poluição e da degradação ambientais e a depleção de recursos naturais. Esta declaração foi assinada no Centro Europeu da Universidade de Tufts, Talloires, França. 
Consta na declaração que as universidades têm um papel crucial na educação, investigação, formação de políticas e troca de informação necessárias à concretização destes objetivos e que os líderes universitários têm que garantir a liderança e apoio na mobilização dos recursos internos e externos, de forma a que as suas instituições respondam a este desafio urgente. Para isto tem as seguintes ações: 
  • aumentar a consciência para o desenvolvimento ambientalmente sustentável – usar todas as oportunidades para reforçar a consciência pública, governamental, industrial, institucional e universitária, defendendo publicamente a necessidade urgente de caminhar rumo a um futuro ambientalmente sustentável. 
  • criar uma cultura institucional da sustentabilidade – encorajar todas as universidades a envolver-se na educação, investigação, formação de políticas e troca de informação sobre a população, ambiente e desenvolvimento rumo a um futuro mais sustentável. 
  • educar para a cidadania ambientalmente responsável – estabelecer programas para produzir conhecimento em gestão ambiental, desenvolvimento econômico sustentável, população e domínios relacionados, de forma a assegurar que todos os graduados universitários sejam formados em ambiente e cidadãos responsáveis. 
  • incentivar a literatura ambiental – criar programas para desenvolver a capacidade do corpo docente de cada faculdade de ensinar matérias ambientais a todos os estudantes universitários. 
  • praticar a ecologia institucional - estimular os dirigentes universitários e os docentes e investigadores ambientais a desenvolver investigação, políticas, programas de intercâmbio de informação e curricular para um futuro ambientalmente sustentável. 
  • envolver todas as partes interessadas – encorajar governos, fundações e indústria a apoiar a investigação interdisciplinar, a educação, o desenvolvimento de políticas e o intercâmbio de informação em desenvolvimento ambientalmente sustentável. Expandir o trabalho com as comunidades locais e as organizações não governamentais para ajudar a encontrar soluções para os problemas ambientais. 
  • colaborar para abordagens interdisciplinares – reunir professores e gestores universitários com técnicos ambientais de forma a desenvolver abordagens interdisciplinares aos currículos e a iniciativas de investigação, operação e comunicação que suportem um futuro ambientalmente sustentável. 
  • aumentar a capacidade das escolas primárias e secundárias – estabelecer parcerias com as escolas primárias e secundárias para potenciar as capacidades dos seus professores em ensinar assuntos relacionados com a população, o ambiente e o desenvolvimento sustentável. 
  • alargar o serviço e o alcance, nacional e internacionalmente – trabalhar com a Conferência da ONU em Ambiente e Desenvolvimento (UNCED), o Programa Ambiental da ONU (UNEP) e outras organizações internacionais e nacionais para promover um esforço universitário global rumo a um futuro sustentável 
  • manter o movimento – estabelecer um comitê de acompanhamento e um secretariado para continuar este momentum , informar e apoiar mutuamente os esforços na efetivação desta declaração 
Os signatários da Declaração de Talloires comprometem-se a criar uma cultura institucional da sustentabilidade, encorajando todas as universidades a envolverem-se na educação, investigação, formação de políticas e intercâmbio de informação em ambiente e desenvolvimento. 

5.2 – Declaração de Halifax – um ano mais tarde, em dezembro de 1991, em Halifax – Canadá, os representantes sêniores da IAU – Associação Internacional das Universidades, da Universidade Unida das Nações e da Associação das Universidades e Faculdades do Canadá, juntaram-se com 20 presidentes das universidades das várias partes do mundo para discutir as seguintes ações a todas as universidades: 
  • utilizar os recursos intelectuais da universidade para incentivar uma compreensão melhor por parte da sociedade dos perigos físicos, biológicos e sociais relacionados que enfrentam o planeta Terra. 
  • enfatizar a obrigação ética da geração atual para superar aquelas mal práticas da utilização de recursos e daquelas circunstâncias difundidas do ser humano que se encontram na raiz da insustentabilidade ambiental. 
  • realçar a capacidade da universidade de ensinar e praticar princípios sustentáveis, para aumentar o interesse ambiental e para aumentar a compreensão da ética ambienta entre a faculdade, os estudantes e o público em geral. 
  • cooperar com todos os segmentos da sociedade e na perseguição de medidas práticas para conseguir a revisão e a reversão eficazes daquelas práticas da corrente que contribuem à degradação ambiental. 
  • empregar todas as comunicações entre universidade, enfatizando estes empreendimentos à UNCED, aos governos e ao público em geral. 
A Declaração de Halifax foi liberada na conclusão da conferência. 

5.3 – Declaração de Swansea – em agosto de 1993, na conclusão da conferência quinquenial das Universidades da Comunidade (ACU), os participantes expressaram a opinião de que as soluções aos problemas ambientais seriam eficazes se tivessem a participação de toda a sociedade na busca da sustentabilidade. Para isto desencadeou ações para: 
  • incitar as universidade da ACU a procurar estabelecer e disseminar uma compreensão mais desobstruída do desenvolvimento sustentável – desenvolvimento que se encontra com as necessidades do presente sem comprometer as necessidades das gerações futuras e incentivar os princípios e as práticas sustentáveis mais apropriadas do desenvolvimento nos níveis locais, nacionais e globais, nas maneiras consistentes com suas missões. 
  • utilizar recursos da universidade incentivando à melhor compreensão por parte dos governos e do público, sobre grandes perigos físicos, biológicos e sociais relacionados que enfrentam a Terra e para reconhecer a interdependência significativa e as dimensões internacionais do desenvolvimento sustentável. 
  • enfatizar a obrigação ética da geração atual para superar aquelas práticas da utilização do recurso e aquelas circunstâncias difundidas. 
  • realçar a capacidade da universidade de ensinar e praticar princípios sustentáveis, para aumentar o interesse ambiental e para aumentar a compreensão da ética ambiental entre a faculdade, os estudantes e o público em geral. 
  • cooperação com todos os segmentos da sociedade e perseguição de medidas práticas para conseguir a revisão e a reversão eficazes daquelas práticas da corrente que contribuem à degradação ambiental. 
  • ncentivar universidades a rever suas próprias operações para refletir as melhores práticas sustentáveis 
  • pedir urgente ao conselho da ACU para considerar e executar as maneiras e os meios, dar vida a esta declaração na missão de cada um de seus membros e com a empresa comum da ACU. 
Esta declaração foi feita na Universidade do Wales, Swansea, no dia 20 de agosto de 1993, e já foi liberada na conclusão da Associação da Conferência das Universidades. 

5.4 – Acordos da Conferência da Terra – Até a Conferência do Rio (UNCED), as universidades praticamente estiveram fora do palco da discussão sobre o desenvolvimento sustentável. A experiência trouxe uma lição clara: as universidades não se devem esquivar ao desafio, pois de acordo com Associação Internacional das Universidades - IAU, 1993, se não nos envolvermos, se não usarmos as nossas forças combinadas para ajudar a resolver os problemas emergentes da nossa sociedade global, então seremos ignorados no despertar de um outro motor de mudança, uma outra agência ou estrutura que será convidada a promover a liderança. Agenda 21 local – capítulo 36 - promover a educação, a consciência pública e a formação . Área programática – reorientar a educação para o desenvolvimento sustentável - ONU, 1992 . Bases para a ação: 
  • a educação, incluindo a educação formal, a consciência pública e a formação devem ser reconhecidas como um processo através do qual os seres humanos e as sociedades podem alcançar o seu completo potencial. 
  • a educação é vital à promoção do desenvolvimento sustentável e à melhoria das capacidades humanas em lidar com as questões do ambiente e do desenvolvimento. 
  • enquanto a educação básica fornece as bases para qualquer educação em ambiente e desenvolvimento, as posteriores necessitam ser incorporadas como uma parte essencial da aprendizagem. 
  • a educação formal e a educação não-formal são ambas indispensáveis na mudança de atitudes que capacitará as pessoas a avaliar e resolver as suas preocupações de desenvolvimento sustentável. 
  •  educação é também vital ao alcance de uma ética e consciência ambiental , de valores e atitudes, habilidades e comportamentos consistentes com o desenvolvimento sustentável e para uma efetiva participação pública nos processos decisórios. 
  • para ser efetiva , a educação ambiental e de desenvolvimento deve lidar com as dinâmicas biofísicas e socioeconômicas do ambiente e de desenvolvimento (que pode também ser espiritual) humano, deve ser integrada em todas as disciplinas e deve empregar métodos formais e não-formais e meios efetivos de comunicação. 

5.5 – Declaração de Kyoto – promovida pela Associação Internacional das Universidades (IAU), sublinha a dimensão ética da educação para o desenvolvimento sustentável que, além de ensinar princípios, deve promover práticas igualmente sustentáveis. Na 9ª Mesa Redonda da IAU, que ocorreu em Kyoto (Japão) a 19 de novembro de 1993, cerca de 90 líderes universitários reuniram-se para discutir e adotar uma declaração de princípios, baseada nas declarações emanadas das conferências de Talloires (1990), Halifax (1991) e Swansea (1993). As ações foram as seguintes: 
  • pressionar as universidades em todo o mundo a procurar estabelecer e disseminar uma compreensão mais clara do conceito de «desenvolvimento sustentável» - «o desenvolvimento que satisfaz as necessidades do presente sem comprometer as necessidades das gerações futuras» - e encorajar princípios e práticas de desenvolvimento sustentável mais apropriados ao nível local, nacional e global, de formas mais concentâneas com as suas missões. 
  • utilizar os recursos das universidades para encorajar uma melhor compreensão, por parte dos governos e do público em geral, dos perigos inter-relacionados físicos, biológicos e sociais que ameaçam o planeta Terra e para reconhecer a interdependência significativa e as dimensões internacionais do desenvolvimento sustentável. 
  • sublinhar a obrigação ética da geração presente em ultrapassar as práticas de utilização dos recursos e as disparidades globalmente disseminadas que estão na base da insustentabilidade ambiental. 
  • potenciar a capacidade da universidade de ensinar, investigar e agir no seio da sociedade, de acordo com os princípios de desenvolvimento sustentável; aumentar a literatura ambiental e melhorar a compreensão da ética ambiental no meio acadêmico e entre o público em geral. 
  • cooperar entre si e com todos os segmentos da sociedade na procura de medidas práticas e de política que alcancem o desenvolvimento sustentável e assim assegurem os interesses das gerações futuras. 
  • encorajar as universidades a rever as suas próprias operações de forma a refletir as melhores práticas de desenvolvimento sustentável. 
  • solicitar ao conselho administrativo da IAU que considere e implemente as formas e meios adequados à vitalização da presente Declaração, refletida na missão de cada um dos seus membros e na política conjunta da IAU. 

5.6 – Carta Copernicus - A Carta Copernicus, chamada de Carta Patente da Universidade para o Desenvolvimento Sustentável, define os princípios de ação a serem adotados pelas universidades rumo ao desenvolvimento sustentável. O Programa Copernicus (Cooperation Program for Environmental Research in Nature and Industry through Coordinated University Studies) é um programa de cooperação européia para a pesquisa sobre a natureza e a indústria com os estudos coordenados da universidade e foi lançado pela Conferência dos Reitores da Europa (CRE) em 1988. 
Este programa é o principal agente regional em diálogo nesta matéria a nível internacional e trabalha em parceria com a Associação das Universidades Européias (EUA), o Instituto de Investigação para a Europa Sustentável (SERI), a Associação Ambiental das Universidades e Faculdades do Reino Unido (EAUC) e algumas universidades singularmente proativas em desenvolvimento sustentável no espaço europeu. 
Tendo como visão tornar a sustentabilidade uma marca registrada tanto do espaço europeu da investigação como do espaço europeu da educação, o programa Copernicus desenvolve a sua própria estratégia de ação consubstanciada nos princípios de sua carta, conforme quadro 2.

Objetivos geraisPrioridadesÁreas-chaveAções Copernicus
Identificar formas de as universidades ajudarem a sociedade a responder ao desafio do desenvolvimento sustentávelGerar conhecimento em desenvolvimento sustentávelInvestigação multidisciplinar Redes de peritosSeminário virtual em expansão e desenvolvimento sustentável
Disseminar conhecimento em desenvolvimento sustentável aos alunosFormação de professores Currículos universitários em desenvolvimento sustentável 
Disseminar conhecimento em desenvolvimento sustentável à sociedadeParcerias e redes de trabalho a nível local Serviço à sociedade em:
-ciência e investigação;
-definição de políticas; desenvolvimento de capacidades;
-transferência tecnológica
Conferências anuais, desde 1998: Sustainable Universities: inter-, multi-and trans-disciplinary issues and options, (Barcelona, 1999)
Alcançar a sustentabilidade nas universidadesImplementar práticas ambientalmente responsáveis pelas e nas universidadesPromover a gestão ambiental das universidades Promover padrões sustentáveis de produção e consumo nas universidadesProjetos:-Universidade de baixa energia;-Campus-solar europeu-Química sustentável
Quadro 2 – Estratégia do Programa Copernicus para o Desenvolvimento Sustentável
 Fonte: http://www.copernicus-campus.org Acesso em 27.09.2003. 

A carta patente foi introduzida e apresentada à Conferência Bianual de CRE em Barcelona em outubro de 1993 e assinada em Genebra em abril de 1994 por um conjunto de 196 universidades européias. 

5.6.1 - Preâmbulo - A exploração da biosfera pelo homem ameaça hoje a sua própria existência. Ao longo das últimas décadas, as pressões sobre o ambiente global tornaram-se auto-evidentes, fazendo erguer uma voz comum pelo desenvolvimento sustentável. Nas palavras do Relatório Bruntland, nós temos que aprender a cuidar das necessidades presentes sem comprometer a capacidade das gerações futuras de em qualquer parte satisfazerem as suas próprias necessidades. 
A consciência está aí. O que falta é uma estratégia compreensível para construir um futuro sustentável eqüitativo para todos os seres humanos, como foi sublinhado pela Conferência do Rio (UNCED) e pela Conferência das Nações Unidas sobre o Desenvolvimento Ambiental, em 1992. Essa estratégia requer um novo enquadramento mental e novo conjunto de valores. 
A educação é essencial à promoção de tais valores e para aumentar as capacidades das pessoas de enfrentar as questões ambientais e de desenvolvimento. A educação em todos os níveis, especialmente a educação universitária para a formação de decisores e professores, deve ser orientada para o desenvolvimento sustentável e para forjar atitudes, padrões de capacidade e comportamentos ambientalmente conscientes, tal como um sentido de responsabilidade ética. A educação tem que se tornar educação ambiental no sentido mais lato do termo. 

5.6.2 - O papel das universidades - As universidades e equivalentes instituições de ensino superior formam as futuras gerações de cidadãos e possuem conhecimentos de especialidade em todos os campos da investigação, tanto em tecnologia como nas ciências naturais, humanas e sociais. 
É conseqüentemente seu dever propagar a literatura ambiental e promover a prática de uma ética ambiental na sociedade, em concordância com os princípios definidos na Magna Carta das Universidades Européias e subseqüentes declarações universitárias e com as recomendações da UNCED para o ambiente e o desenvolvimento. 
Na verdade, as universidades são cada vez mais chamadas a desempenhar um papel preponderante no desenvolvimento de uma forma de educação multidisciplinar e eticamente orientada, de forma a encontrar soluções para os problemas ligados ao desenvolvimento sustentável. Elas devem, portanto, assumir um compromisso para com um processo contínuo de informação, educação e mobilização de todas as partes relevantes da sociedade com relação às conseqüências da degradação ecológica, incluindo o seu impacto sobre o ambiente global e as condições que garantem um mundo sustentável e justo. 
Para alcançar estes objetivos e cumprir a sua missão básica, as universidades são pressionadas a desencadear todos os esforços para subscrever e implementar os dez princípios de ação abaixo definidos. 
  • compromisso institucional – as universidades devem demonstrar um compromisso real para com a teoria e a prática da proteção ambiental e do desenvolvimento sustentável no seio da comunidade acadêmica. 
  • ética ambiental – as universidades devem promover, entre os seus docentes, alunos e o público em geral, padrões de consumo sustentáveis e um estilo de vida ecológico, estimulando paralelamente programas que desenvolvam as capacidades do corpo docente para ensinar literatura ambiental. 
  • educação dos funcionários universitários – as universidades deverão proporcionar educação, formação e encorajamento aos seus funcionários em matérias ambientais, para que eles possam prosseguir o seu trabalho de uma forma ambientalmente responsável. 
  • programas de educação ambiental – as universidades deverão incorporar uma perspectiva ambiental em todo o seu trabalho e estabelecer programas de educação ambiental envolvendo docentes, investigadores e estudantes, expondo-os a todos os desafios globais do ambiente e desenvolvimento, seja qual for o seu campo de trabalho ou estudo. 
  • interdisciplinaridade – as universidades devem encorajar a educação interdisciplinar e colaborativa e programas de investigação relativos ao desenvolvimento sustentável enquanto parte da missão central da instituição. Devem também procurar ultrapassar os instintos competitivos entre disciplinas e departamentos. 
  • disseminação do conhecimento – as universidades devem apoiar esforços para suprir as falhas na atual literatura disponível aos estudantes, profissionais, decisores e público em geral, preparando material didático informativo, organizando leituras públicas e estabelecendo programas de formação. Elas devem também estar preparadas para participar em auditorias ambientais. 
  • redes de trabalho – as universidades devem promover redes interdisciplinares de peritos ambientais ao nível local, nacional, regional e internacional, com o objetivo de colaborar em projetos ambientais comuns de ensino e investigação. Para isto, a mobilidade de estudantes deve ser encorajada. 
  • parcerias – as universidades deverão tomar a iniciativa de forjar parcerias com outros setores preocupados da sociedade, de modo a desenhar e implementar abordagens, estratégias e planos de ação coordenados. 
  • programas de educação contínua – as universidades deverão inventar programas de educação ambiental sobre estes assuntos e para diferentes grupos-alvo, por exemplo: empresas, agências governamentais, organizações não-governamentais, meios de comunicação social. 
  • transferência tecnológica – as universidades devem contribuir para programas educacionais concebidos para a transferência de tecnologias de educação e inovação e métodos de gestão avançados. 

5.7 – Declaração dos estudantes para um futuro sustentável – organizado pelo CEED – Comunidade Ambiental de Desenvolvimento Educacional, esta Declaração ganhou respaldo no Reino Unido, na Universidade de Sunderland, com 80 pessoas de 34 universidades e faculdades britânicas nos dias 2 a 5 de julho de 1995. Foi discutida a responsabilidade ambiental dos estudantes na tentativa particular de moldar uma declaração abrangendo ações mais adicionais. Nessa época, os participantes da conferência desenvolveram guias para a ação, tendo como o começo de um acoplamento entre estudantes e as agendas ambientais institucionais e internacionais. 

5.8 – Parceria Global do Ensino Superior para o Desenvolvimento Sustentável – GHESP – esta parceria foi formada em 2000 pela ULSE – University Leaders for a Sustainable Future - Universidade Líder para um Futuro Sustentável, Copernicus-campus, IAU - Associação Internacional das Universidades e UNESCO – Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura, em resultado do programa de trabalho da Comissão para o Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas (CSD-UM) e antecipando a Conferência Mundial sobre Desenvolvimento Sustentável (WSSD). Essa parceria teve como primeiro produto a Declaração de Luneburg em 10 de outubro de 2001. Esta Declaração é a instrução mais elevada para o desenvolvimento sustentável. 


Fonte: Maria Elisabeth Pereira Kraemer Contadora, CRC/SC nº 11.170, Professora e Integrante da Equipe de Ensino e Avaliação na Pró-Reitoria de Ensino da UNIVALI – Universidade do Vale do Itajaí. Mestre em Relações Econômicas Sociais e Internacionais pela
http://ambientes.ambientebrasil.com.br